O Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe (CBMSE) realizou, na última quarta-feira (15), a 3ª edição do evento “QuarTEA: vamos falar de autismo no quartel?”, em alusão ao mês de conscientização do Transtorno do Espectro Autista, com o objetivo de promover a inclusão e aprimorar o atendimento a pessoas autistas em ocorrências operacionais. A programação aconteceu no auditório do Quartel Central, em Aracaju, reunindo especialistas para discutir capacitação, direitos e a adaptação de protocolos que garantam um atendimento mais humanizado e eficiente.
A abertura do evento contou com a palestra ‘Inclusão e preparo institucional: o papel do Corpo de Bombeiros na conscientização sobre o autismo’, com a tenente-coronel Anuska Erika Pereira Bezerra, do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba. Na sequência, a defensora pública do Estado da Bahia, Melisa Florina Lima Teixeira, falou sobre ‘Proteção dos Direitos dos Autistas na infância, adolescência e fase adulta’.
Conforme a tenente-coronel Yana Aguiar, o evento acontece no escopo de tornar o atendimento da corporação mais inclusivo para toda a sociedade. “O Quartel Inclusivo nasce da necessidade de adaptar o atendimento das ocorrências para pessoas com características sensoriais e comportamentais específicas, como é o caso de pessoas com transtorno do espectro autista. Pensamos em um atendimento mais humanizado, considerando que cada indivíduo reage de forma diferente aos estímulos”, detalhou.
Em situações de emergência, como incêndios ou salvamentos, a chegada das viaturas com sirenes e giroflex pode potencializar uma crise. “Por isso, estamos desenvolvendo protocolos específicos para que o atendimento seja mais adequado, evitando agravamentos e garantindo maior acolhimento. Esses protocolos envolvem desde a forma de abordagem até a comunicação, que deve ser mais objetiva e clara, além de estratégias para reduzir estímulos que possam causar sobrecarga sensorial”, especificou a tenente-coronel Yana.
Para a palestrante Florina Teixeira, o evento está atrelado a necessidade de considerar as particularidades da pessoa com autismo. “Precisamos olhar para a vida real dessas pessoas, que crescem, se tornam adolescentes e adultos, e enfrentam uma série de desafios e incertezas. Eu, inclusive, falo também como mãe atípica, tenho um filho de 14 anos, e vivencio diariamente essas angústias e preocupações com o futuro”, ressaltou.
Em sua palestra, Fiorina Teixeira também salientou a importância de discutir questões fundamentais relacionadas ao autismo. “Como o que acontece quando essas pessoas atingem a maioridade, suas possibilidades de inserção na sociedade, autonomia, direito ao trabalho, à renda, à mobilidade, à afetividade e à construção de uma vida independente”, especificou.
A palestrante Anuska Pereira ressaltou que trazer o tema do autismo para dentro do Corpo de Bombeiros é fundamental para que o militar saiba como agir em uma ocorrência envolvendo uma pessoa autista, garantindo uma abordagem mais adequada e humanizada. “Essa capacitação não se limita ao atendimento externo. Ela também é importante dentro da própria instituição, promovendo conhecimento, quebrando barreiras e ampliando a compreensão sobre o autismo no ambiente militar”, reiterou.
A tenente-coronel Anuska Pereira acrescentou também a importância de olhar também para dentro, porque existem profissionais autistas nas corporações. “É essencial oferecer apoio, acolhimento e construir um ambiente mais inclusivo para todos. A partir do conhecimento, conseguimos reduzir distâncias, compreender melhor as diferenças e avançar na construção de uma sociedade mais inclusiva”, completou.
O encerramento do evento foi marcado por uma roda de conversa com o tema ‘Um diálogo com bombeiras e bombeiros que vivem o autismo numa jornada que não entra em escala’. Para Priscila Boaventura, que fez a mediação da roda de conversa, o evento aborda temas extremamente relevantes relacionados ao autismo, com a participação de palestrantes que trazem reflexões importantes sobre inclusão e direitos. “A ideia é que possamos sair daqui com novos questionamentos e reflexões sobre como podemos contribuir, enquanto sociedade, para melhorar a realidade das pessoas com autismo e de suas famílias”, finalizou.
Por: Ascom/SSP/SE


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