terça-feira, 9 de abril de 2019

AMESE É CAPA DO CINFORM

O Semanário CINFORM publicou nesta semana reportagem sobre a difícil situação em que se encontra a Polícia Militar do Estado de Sergipe. A matéria foi capa da edição. Vamos à leitura.



INSTALAÇÕES INSALUBRES DA PM SÃO A FACE DO GOVERNO DA INSEGURANÇA

Quem nos revela detalhe por detalhe dessa história é o presidente da Amese, o sargento da PM, Jorge Vieira

A Polícia Militar é um dos braços do Estado que tem por serventia proteger a sociedade. Em Sergipe, este braço está na UTI, todo quebrado, quase indo para a mesa de operação para se amputado. Por que? Porque, conforme revelam profissionais de lá de dentro, o governador Belivaldo Chagas “faz um papel que não é o papel de um governador fazer, porque a política de Belivaldo desvaloriza os policiais e a consequência disso é a não proteção do cidadão”.

E quem paga a conta é a sociedade sergipana. Exemplos? Basta passar em frente a qualquer instalação da PM em Sergipe, seja na capital ou no interior, para visualizar a precariedade dos prédios. Caindo aos pedaços.

É assim que se encontram o 5º Batalhão, o Centro de Formação, o Canil, o BPtur (Batalhão de Turismo), CPRV, QCG, grande maioria dos PACs, o MTI, o presídio militar, a 2ª Companhia do 8º Batalhão, os Postos de Atendimento ao Cidadão. No interior a situação piora, é de assustar. Quem nos revela detalhe por detalhe dessa história é o presidente da Amese Associação dos Militares do Estado de Sergipe), o sargento da PM, Jorge Vieira. Nos locais acima citados existe, por exemplo, caixa-d’água com rachaduras que cabe a mão de uma pessoa, tem um muro localizado no 8º que está colapsado e pode cair. A mobília está caindo aos pedaços. Mas Vieira pontua um lugar em que tudo é bonito e funciona. “O único setor que está bom é a sala do comando geral. Lá você vê uma sala bonita, com todo requinte. E a gente volta ao passado, onde os reis e nobres ficavam em palácios de luxo, e os plebeus largados, à mingua”.

MILITARES NÃO PODEM REIVINDICAR

Com vasta documentação em mãos, dezenas de relatórios, fotos e vídeos, Vieira expõe a situação da PM em Sergipe. Acerca dos prédios Vieira exemplifica que durante a construção dos Centros Integrados de Segurança Pública o governo começou as reformas e construções com os policiais militares lá dentro. “Todos os outros profissionais, policiais civis, serviços gerais, delegados, foram retirados com dignidade. Mas os militares ficaram”. E reitera apontando que o Estado usa – infelizmente – uma das mais conceituadas características da PM – a de seguir à risca uma hierarquia – como arma contra ela própria. “A PM segue na hierarquia militar. O policial militar não pode falar, mesmo sendo um direito. Não temos direito de reivindicar nada”.

SOMENTE R$ 200 MIL PARA REFORMAS 

E continua: “O 5º Batalhão localizado em Socorro é insalubre. Já fizemos diversas notificações da Defesa Civil para interditarem aquele prédio. Ano passado, o Governo do Estado de Sergipe disponibilizou – somente – R$ 200 mil para a reformas das unidades da Polícia Militar. Até agora, em 2019, o governador não disponibilizou nenhuma verba. Tudo o que gera despesas com os servidores públicos passam pelo crivo do poder legislativo. Quem tem o poder de fazer por nós é o governador. A estrutura da PM só vai funcionar se o governador quiser”. E ratifica: “Durante todos estes anos, entra ano sai ano, os governantes de Sergipe só se preocuparam em fazer política de governo e nunca fizeram política de estado. Então, entra um, faz de um jeito. Entra outro, faz de outro jeito. É como se fosse um gosto pessoal. Eu gosto de vermelho, coloco vermelho. Eu gosto de verde, coloco verde. E houve um enfraquecimento e uma desestruturação e desvalorização dos policiais militares em geral. Nós, em Sergipe, já tivemos o segundo melhor salário do país. Mas, há oito anos nós não temos aumento e nem reposição salarial”.

ARMAMENTO OBSOLETO 

“Hoje os policiais estão voltando a fazer o bico. Os armamentos são insuficientes, obsoletos. O efetivo também é insuficiente. Digo que o governo precisa chamar logo estes concursados, porque em todo este período que não houve concursos públicos para a Polícia Militar a tropa envelheceu e o efetivo diminuiu e a população aumentou.

Os dados confirmaram que a população sergipana cresceu em 40%, mais ou menos uns 500 mil habitantes. Ao passo que a tropa da PM diminuiu em quase 500 homens. E esta diminuição compromete o sistema da segurança pública no estado”. 

FALTAM HOMENS NA TROPA  

Para Vieira, “governo gasta com passagem aérea, com cargos comissionados, com Getons. Se o governador quiser ele pode cortar os gastos ao meio. Os pilares básicos são saúde, educação e segurança. Muitas das vezes a PM têm que parar viaturas porque não há combustível e a população fica desassistida. Se contratar todos estes homens concursados ainda haverá deficiência. O governo tem uma média de 900 homens para o trabalho e isto é pouquíssimo. O ideal seria uma tropa de aproximadamente 6 mil homens”. Para o presidente da Amese, “nesta falta de gestão estão aí inclusos, além dos baixos salários, o fato de a PM não ter recursos para realizar o próprio trabalho. 

Por exemplo, uma compra de veículos para atender aos serviços prestados pela polícia precisa ser planejada para as necessidades básicas dessa polícia”.

ALIMENTAÇÃO PRECÁRIA  

E entre os diversos problemas, a polícia militar ainda recebe alimentação precária. “Em 24h a gente só tem o direito de se alimentar três vezes: meio-dia, a noite e de manhã. Para cada alimentação o policial ganha R$ 8. É um valor vergonhoso. É um soco no estômago do policial e um tapa na cara da sociedade. Não adianta fazer formaturas e elogios verbais se o tratamento que é dado é indigno”.

E complementa dizendo que não adianta investir apenas na Força Nacional. “A Força Nacional é uma farsa. Estes policiais vêm para cá com o melhor armamento, com a melhor viatura e bem remunerados. Este sistema deveria ser implantado em todas as polícias do Brasil e não somente para um grupo seleto de policiais”.  

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