O Semanário CINFORM publicou nesta semana reportagem sobre a difícil situação em que se encontra a Polícia Militar do Estado de Sergipe. A matéria foi capa da edição. Vamos à leitura.
INSTALAÇÕES
INSALUBRES
DA PM SÃO A FACE
DO GOVERNO DA
INSEGURANÇA
A Polícia Militar é um dos braços do Estado que tem por serventia proteger a sociedade. Em Sergipe, este braço está na UTI, todo quebrado, quase indo para a mesa de operação para se amputado. Por que? Porque, conforme revelam profissionais de lá de dentro, o governador Belivaldo Chagas “faz um papel que não é o papel de um governador fazer, porque a política de Belivaldo desvaloriza os policiais e a consequência disso é a não proteção do cidadão”.
E quem paga a conta é a sociedade sergipana. Exemplos? Basta passar em frente a qualquer instalação da PM em Sergipe, seja na capital ou no interior, para visualizar a precariedade dos prédios. Caindo aos pedaços.
É assim que se encontram o 5º Batalhão, o Centro de Formação, o Canil, o BPtur (Batalhão de Turismo), CPRV, QCG, grande maioria dos PACs, o MTI, o presídio militar, a 2ª Companhia do 8º Batalhão, os Postos de Atendimento ao Cidadão. No interior a situação piora, é de assustar. Quem nos revela detalhe por detalhe dessa história é o presidente da Amese Associação dos Militares do Estado de
Sergipe), o sargento da PM, Jorge Vieira.
Nos locais acima citados existe, por
exemplo, caixa-d’água com rachaduras que
cabe a mão de uma pessoa, tem um muro
localizado no 8º que está colapsado e pode
cair. A mobília está caindo aos pedaços. Mas
Vieira pontua um lugar em que tudo é bonito e
funciona. “O único setor que está bom é a sala
do comando geral. Lá você vê uma sala bonita,
com todo requinte. E a gente volta ao passado, onde os reis e nobres ficavam em palácios de
luxo, e os plebeus largados, à mingua”.
MILITARES NÃO PODEM REIVINDICAR
Com vasta documentação em mãos, dezenas
de relatórios, fotos e vídeos, Vieira expõe a
situação da PM em Sergipe. Acerca dos prédios
Vieira exemplifica que durante a construção
dos Centros Integrados de Segurança Pública
o governo começou as reformas e construções
com os policiais militares lá dentro. “Todos os
outros profissionais, policiais civis, serviços
gerais, delegados, foram retirados com
dignidade. Mas os militares ficaram”.
E reitera apontando que o Estado usa –
infelizmente – uma das mais conceituadas
características da PM – a de seguir à risca uma
hierarquia – como arma contra ela própria.
“A PM segue na hierarquia militar. O policial
militar não pode falar, mesmo sendo um
direito. Não temos direito de reivindicar nada”.
SOMENTE R$ 200 MIL PARA REFORMAS
E continua: “O 5º Batalhão localizado em Socorro é insalubre.
Já fizemos diversas
notificações da Defesa
Civil para interditarem
aquele prédio. Ano
passado, o Governo
do Estado de Sergipe
disponibilizou –
somente – R$ 200 mil
para a reformas das
unidades da Polícia
Militar. Até agora, em
2019, o governador
não disponibilizou
nenhuma verba. Tudo o
que gera despesas com
os servidores públicos passam pelo crivo
do poder legislativo. Quem tem o poder de
fazer por nós é o governador. A estrutura da
PM só vai funcionar se o governador quiser”.
E ratifica: “Durante todos estes anos, entra
ano sai ano, os governantes de Sergipe só se
preocuparam em fazer política de governo
e nunca fizeram política de estado. Então, entra um, faz de um
jeito. Entra outro, faz de
outro jeito. É como se
fosse um gosto pessoal.
Eu gosto de vermelho,
coloco vermelho. Eu
gosto de verde, coloco
verde. E houve um
enfraquecimento e
uma desestruturação
e desvalorização dos
policiais militares em geral. Nós, em Sergipe,
já tivemos o segundo melhor salário do país.
Mas, há oito anos nós não temos aumento e
nem reposição salarial”.
ARMAMENTO OBSOLETO
“Hoje os policiais estão voltando a fazer
o bico. Os armamentos são insuficientes,
obsoletos. O efetivo também é insuficiente.
Digo que o governo precisa chamar logo
estes concursados, porque em todo este
período que não houve concursos públicos
para a Polícia Militar a tropa envelheceu e o
efetivo diminuiu e a população aumentou.
Os dados confirmaram que a população
sergipana cresceu em 40%, mais ou menos
uns 500 mil habitantes. Ao passo que a tropa
da PM diminuiu em quase 500 homens. E
esta diminuição compromete o sistema da
segurança pública no estado”.
FALTAM HOMENS NA TROPA
Para Vieira, “governo gasta com passagem
aérea, com cargos comissionados, com
Getons. Se o governador quiser ele pode
cortar os gastos ao meio. Os pilares básicos
são saúde, educação e segurança. Muitas das
vezes a PM têm que parar viaturas porque não
há combustível e a população fica desassistida.
Se contratar todos estes homens concursados
ainda haverá deficiência. O governo tem uma
média de 900 homens para o trabalho e isto
é pouquíssimo. O ideal seria uma tropa de
aproximadamente 6 mil homens”.
Para o presidente da Amese, “nesta
falta de gestão estão aí inclusos, além
dos baixos salários, o fato de a PM não ter
recursos para realizar o próprio trabalho.
Por exemplo, uma compra de veículos para
atender aos serviços prestados pela polícia
precisa ser planejada para as necessidades
básicas dessa polícia”.
ALIMENTAÇÃO PRECÁRIA
E entre os diversos problemas, a polícia
militar ainda recebe alimentação precária.
“Em 24h a gente só tem o direito de se
alimentar três vezes: meio-dia, a noite e de
manhã. Para cada alimentação o policial
ganha R$ 8. É um valor vergonhoso. É
um soco no estômago do policial e um
tapa na cara da sociedade. Não adianta
fazer formaturas e elogios verbais se o
tratamento que é dado é indigno”.
E complementa dizendo que não adianta
investir apenas na Força Nacional. “A Força
Nacional é uma farsa. Estes policiais vêm
para cá com o melhor armamento, com a
melhor viatura e bem remunerados. Este
sistema deveria ser implantado em todas
as polícias do Brasil e não somente para um
grupo seleto de policiais”.

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